Sábado, Março 28, 2009

Hora do Planeta

20h26... terra.

20h27... fogo.

20h28... vento.

20h29... água.


20h30.


Coração.


- VAAAI PLANEETA

Sábado, Março 21, 2009

Caras legais dormem sozinhos


Ressurgindo com o blog das cinzas hoje, em plena véspera de semana de provas, pra falar sobre um problema sério que assola 9 a cada 10 homens e não é câncer de próstata nem impotência sexual: a terrível FRIEND ZONE.

Afinal, o que é a Friend Zone?
"Acontece que as pessoas imaginam a Friend Zone como um túnel, saca? Você indo em direção à sua amiga. Mas ela é um campo aberto... cheio de filhos da puta com snipers."
- Mark
Friend Zone é simplesmente o pior lugar em que um cara heterossexual poderia estar, mas mesmo assim você SEMPRE acaba lá, um dia. Um abismo profundo em que as mulheres te jogam, algumas vezes até sem querer, e apenas um número raríssimo de pessoas já conseguiu escalar de volta ao topo. Uma dimensão completamente paralela, onde no lugar de BEIJO, PAIXÃO e SEXO, só existe DESABAFO, ABRAÇO e OMBRO AMIGO. É como o inferno. A única diferença é que você só vai parar lá se for bonzinho demais.

Você pode até não saber exatamente o que é a Friend Zone, mas, acredite, VOCÊ PROVAVELMENTE ESTÁ LÁ.

Imaginemos a seguinte situação: você tá afim de uma garota e quer desesperadamente comê-la assim que possível. Porém, você não conhece ela nem conhece ninguém que conheça. O que você faz, chega cantando? NÃO, porque você é noob demais pra isso. Você vai se aproximando devagarinho, como quem não quer nada, dividindo experiências, gostos, momentos, e todas as viadagens do tipo. Aí o tempo passa, vocês estão mais íntimos a ponto de ela deitar a cabeça no seu ombro, te abraçar o tempo todo, desabafar. Então você percebe que finalmente chegou o momento e você faz A investida.

Você treme. Você vacila. Você fala.

E então ela diz a quarta pior coisa no mundo que uma mulher poderia dizer para um homem (perdendo apenas para "estou grávida/sou um homem/tenho AIDS"): eu gosto de você APENAS COMO AMIGO.



E isso que você sente a seguir, meu amigo, é a sensação de ter seu coração sendo mastigado por diabos da Tasmânia e suas bolas enfiadas dentro de liquidificador enquanto você é espancado por gorilas africanos jogadores de futebol americano e sua família inteira é violentamente estuprada por ninguém menos que o Vandeco Ranca-Prega, o enrabador de cu sem Deus no coração.

É isso que a Friend Zone faz: arranca seus testículos da pior forma possível e te deixa praticamente eunuco. Você vira um... boneco Ken.


Sim, é assim que ela vê você.

ALIÁS, você não achava mesmo que o Ken era o namorado da Barbie, certo? CLARO QUE NÃO. O Ken é nada menos do que o melhor amigo da Barbie, segundo a visão feminista e doentia dela. As mulheres são todas assim, cara, mesmo as de plástico. Conforme-se. Ou vire viado e vá postar no ato ou efeito, sei lá.

Como eu sei se estou na Friend Zone de alguém?

Se liga:

- ela já te contou algum segredo que contaria apenas para outra amiga;
- vocês já saíram juntos mais de duas vezes e não rolou nada;
- ela fica falando de outro cara;
- ela já disse alguma vez o quanto você é o único que a entende e é quase um irmão pra ela;

Se você se encaixa em no mínimo dois itens acima, então parabéns: para ela, você, oficialmente, tem o poder sexual de um nabo.

Mas peralá, isso não é totalmente mau. Veja bem, uma vez na Friend Zone, você pode ter acesso a inúmeras informações que nenhum outro cara vai ter. E dependendo do tipo de informação, você pode até dar graças a Deus por estar confinado lá.

- tenho penis
- LOL

Mesmo assim, Friend Zones não deixam de ser péssimas idéias. E se você estiver em muitas Friend Zones, então você é provavelmente gay e só você ainda não sabe disso.

E como caralhos eu saio daqui?

Sair da Friend Zone? Iiiiiihh, rapá, aí o negócio já complica. Como eu já disse, o número de caras que já conseguiram sair com louvor de uma Friend Zone é raríssimo. É preciso verdadeiras BOLAS DE AÇO pra tanto. E o engraçado é que os homens têm uma certa dificuldade em admitir quando tão presos em uma. Das três, uma: ou eles falam que só ficaram em uma, ou que só entram de livre e espontânea vontade, ou que sim, já ficaram em várias, mas "NO FINAL EU PEGUEI, EIN".

Só pra satisfazer o voyeurismo de vocês, segue o único relato que consegui coletar de um dos leitores que teve coragem suficiente pra aparecer neste post:

MENDIGO:
Não tem o que contar.
Cinema, grudar? Não, sou amigo.
O pior de tudo foi o FAIL gigante estampado na minha testa.
Quando ela disse "Faz um threesome com eles" e apontou pro casal do lado.
Maldade, véi.

E como é sempre bom ver os dois lados da parada, um caso de Friend Zone na visão de uma MULHER:

RAFAELA:
Eu tenho um amigo que queria ficar comigo
E era mó apaixonado e tals.
Daí eu disse que não porque ele era meu amigo e tal...
Daí eu namorei com o amigo dele.
QUAL A GRAÇA ,FDP

E FIM DE POST, pronto.

O texto acaba aqui, galera, pode parar de ler já e ir fechando a aba.

Sério, eu não vou contar nenhuma experiência minha, não importa o quanto cês tentem me convencer. Aposto que leram tudo isso até aqui só pra poder achar uma história minha, apontar e rir "HA HA, LUKOWNED". Não, eu não vou contar. NÃO VOU. NÃO VOU.

NÃO. VOU.

... porra, tá, eu conto.

Nome da amiga, obviamente, alterado para evitar reconhecimento (embora eu saiba que ela vai reconhecer de qualquer jeito LOL).

LUKE:
- Opa, Paula! Vamo sair amanhã?
- Claro! Pra onde?
- Praça da República. Tá afim?
- Selou! Me liga lá pelas 10h.
- Ooooook!

*Luke vai dormir cedo pra acordar cedo e 10h tá no telefone ligando pra amiga*

- Alô, Paula? Já tô de saída!
- Ahhhh, Luke... então, eu fui dormir 6h da manhã ontem, tô cansadona, vou passar o dia inteiro dormindo hoje...
- Ah, tá bom então. Fica pra próxima, beijos!

*Dia seguinte, Luke vai puxar assunto com ela no msn*

- FlÁVIA! E aí, dormiu muito? :D
- Eu não dormi.
- a



PS: Quem é a gatinha no começo do post?

Sexta-feira, Março 06, 2009

Problem child

A transição da infância para a pré-adolescência é com certeza o momento mais traumático da vida de uma pessoa. É quando você percebe que tudo em que você acreditava não passava de desenhos infantis e/ou seu pai dentro de uma fantasia de gordo barbudo. O momento em que você se firma total e oficialmente como um adolescente é quando você tem acesso a sua primeira revista de mulépelada. Isso é fato, e praticamente um ritual de passagem pelo qual todo garoto tem que passar para poder evoluir na vida, o Bar Mitzváh de todos nós. Mas, antes disso, você deve passar pela verdadeira prova de fogo de descobrir, pouco a pouco, que a vida real é um pouco menos colorida do que os programas da Discovery Kids e que é fisicamente impossível aprisionar um animal dentro de uma bola para depois fazê-los duelar entre si.

Meu final de infância foi repleto de decepções. Quando eu era moleque, sempre dedicava bem mais tempo na frente de uma TV do que o saudável, deixando que todos aqueles programas de desenhos com apresentadores débilóides e comerciais de guloseimas açucaradas estuprassem a minha mente infantil. Eu VEGETAVA na frente da televisão, essa é a verdade. Como um nabo.

E essas eram as minha maiores preocupações da vida, na época: acordar nos sábados de manhã antes que os desenhos acabassem e ver se a quantidade de Nescau e leite gelado na geladeira eram suficientes pra minha maratona matinal. Mané espinhas, garotas, física e matemática que nada. Aquilo sim era vida, rapaz.

Então os desenhos acabavam (dando lugar ao jornal local do meio-dia; eu ODEIO jornal local do meio-dia) e eu voltava a ser o garoto hiperativo normal de sempre. Quer dizer, “normal” entre aspas, porque eu sempre fui uma criança meio retardada, do tipo que precisa de avisos de "CRIANÇAS, NÃO TENTEM ISSO EM CASA" nos filmes pra não, de fato, fazê-lo. Aliás, caralhos, eu sou assim até hoje. Lembro de uma vez que recortei um papelão verde, coloquei na cara e saí girando pela casa, até que o armário da sala parou minha imitação d'O Máskara de maneira dramática e beeem dolorosa. Sssmoking.


É, eu já fiz isso também.

Daí um dia eu arranjei um aquário. Pus dois dedos de água, um punhado de terra com uma parte fora d’água e, sobre ela, formigas. Isso mesmo, FORMIGAS. Quando as formigas colocassem seus ovinhos, eu encheria mais e mais até cobrir tudo. Eventualmente, os ovos submersos iriam se chocar, e então eu teria, tcharam, um EXÉRCITO DE FORMIGAS AQUÁTICAS MUTANTES. Então eu revelaria minha recém-criada nova espécie para os cientistas, ficaria famoso e as venderia por não menos de US$ 1.000. Cacete, era tão perfeito... na teoria. Lembro com tristeza até hoje de todos os momentos que eu passei fitando ansiosamente o aquário, esperando as miseráveis colocar os ovos. Quando eu vi os corpinhos mortos de todas elas boiando na água indo pela pia, então, eu quase chorei. Mais um experimento científico que não deu certo indo pelo ralo, literalmente.

Mas essa foi só a primeira grande decepção da minha vida. Depois disso, a coisa só ficou pior. Por exemplo, em quase todos os filmes e desenhos animados que eu via com toda aquela devoção quase religiosa, o heroizinho tinha um amigo invisível. E não só era o melhor amigo dele, como também o único que o entendia (até porque é ele mesmo lOlolol oLoLooLo Lol). Influenciável pracaralho como eu sou, lá ia eu criar meu próprio amigo imaginário. Dava um nome, olhava pra um cantinho, cumprimentava. O problema é que eu simplesmente NÃO TINHA ASSUNTO. Esse deve ser tipo o cúmulo da instrospecção social, não conseguir levar um papo adiante NEM CONSIGO MESMO. Eu também evitava falar com meu amiguinho invisível na frente de alguém, porque eu MORRIA de medo de levarem pro psicólogo e ele mandar me internarem ou algo do tipo. Eu também ficava completamente frustrado por meu amigo invisível não ser tão... visível como nos filmes. Sempre achava que a culpa era minha, por ser burro e não ter imaginação. Então dez minutos depois eu dava uma de Ronald Rios e esquecia da minha criação e ia fazer outra coisa, tipo ver MAIS televisão. Duas semanas depois eu tentava criar outro, falhava e ficava frustrado de novo. Eu era um bosta, pqp.


Bobby, PFF.

Cresci mais um pouco e mais uma decepção: radioatividade não faz de você um super-herói. Se você misturar uma colher de partículas beta no seu cereal matinal, você não vai ter flocos de milho crocantes mutantes correndo pela sua casa, assim como se tomar banho de raios gama, tudo o que vai conseguir é um câncer do tamanho de uma bola de vôlei, no mínimo. Mais uma vez, a Realidade vem pra me dar um tapa de piroca na cara, matar meu rebanho, estuprar minha família e beber todo o leite da geladeira direto na boca da garrafa.

E então eu aprendi sobre o sexo (com os amigos da rua, claro, junto com alguns palavrões bem cabeludos. Eu nunca entendi aonde minha mãe queria chegar com aquele lance de passarinhos e sementinhas que viram bebês). No começo, eu achei tudo bastante normal, encarei o lance todo naturalmente, e até achei bem interessante (lembrem-se, eu era um moleque safado), porque eu sempre soube que aquela história de ser entregue nas casas por cegonhas era imbecil DEMAIS pra ser verdade ("então eu sou uma entrega do correio... certo..."). O problema mesmo foi quando eu, em um lapso de sagacidade, finalmente correlacionei o sexo com o modo como os meus pais me fizeram.

Ah, merda.

Que nojo.

Mais uma decepção, mas eu segui adiante. Posteriormente, tudo o que eu imaginava sobre o sexo foi jogado pela janela quando descobri que os espermatozóides não são do tamanho de girinos e que a genitália feminina não era um triângulo cabeludo invertido um pouco abaixo do umbigo, o buraco era mais embaixo (obrigado, revistas Playboy da década de 90). Sem falar que 90% dos palavrões que eu proferia tão orgulhosamente junto com meus amigos quando não tinham adultos por perto tinham significado sexual. Porra, isso explicava muita coisa.

Depois disso, minha infância acabou - e não foi com a descoberta da inexistência de Papai Noel, isso já é brega. Você simplesmente não tem mais como voltar atrás e ser uma criança ingênua novamente depois que fica sabendo como você foi feito, que tartarugas não podem ser mutantes muito menos ninja e que você só tem amigos imaginários se também tiver algum nível de esquizofrenia.

Agora, que só o fato de estar na faculdade já te garante sexo rasgado, suado e diário com todas suas amiguinhas de turma, ISSO NINGUÉM ME TIRA DA CABEÇA OK.

Por favor. :(