Parte I: Love will tear us apart
Parte II: From safety to where...?
Parte III: A means to an end
Parte IV: These days
Final: Atmosphere
No último capítulo de O AMOR VAI NOS DILACERAR...
CLÁUDIO LUCAS: Maria Eliz, meu amor, eu preciso mostrar algo a você. Venha comigo, minha doce amada! Vamos!
MARIA ELIZ: Quê?
Então, pegando Maria Eliz pelas mãos, Cláudio Lucas a leva até a sala de aula vazia, onde na lousa encontra-se escrito em grandes letras vermelhas "ELIZ, QUER NAMORAR COMIGO?"
Cláudio Lucas está nervoso. Um misto de tensão e emoção percorre suas entranhas como um vento frio. Apesar de haver passado a noite anterior inteira às claras pensando no que falar neste momento, as palavras não saem. Coloca suas mãos suadas nos bolsos das calças, encolhe os ombros timidamente e, lentamente, vai recuando, com os olhos ainda fixos em seu grande amor aguardando ansiosamente a resposta. É quando, de repente, suas pernas encontram-se com as da mesa que estava logo atrás dele, fazendo-o vacilar e quase cair.
Maria Eliz ri. Seu riso tem o som doce de mil anjos. Ela era linda - seus lindos olhos azuis, seus longos cabelos louros, que mais pareciam fios de ouro brotando no topo de sua cabeça. Seu nariz de boneca, e seu lindo corpo.
Então ela apenas sorri e balança a cabeça positivamente. Os dois se abraçam e se afogam na aventura da paixão demoníaca ardente.
CLÁUDIO LUCAS: Eu amo você, Maria Eliz. Amo você mais que o Universo!
MARIA ELIZ: Eu também te amo. Mesmo. E...
CLÁUDIO LUCAS: Não existem palavras para descrever, gestos para interpretar, melodias para musicar todo o amor que sinto por ti em toda sua grandeza, então procuro te presentear com uma parcela dele sempre que te vejo – a qual, embora ínfima perto do todo, ainda assim é coisa demais – através das formas que melhor encontro: um toque delicado de mãos, um abraço apertado, um beijo nos lábios, o "eu te amo" mais sincero. Você já saiu do chão sem tirar os pés dele? Já ficou sem ar, mesmo com ele ainda enchendo seu peito? Já teve tanto o que falar que ficou mudo? Já sentiu como se você fosse tudo que existe e, ao mesmo tempo, nada? Já viu o tempo desacelerar enquanto seu coração faz o exato oposto? Você já viu o infinito (e o que existe além) de olhos fechados?
MARIA ELIZ: MEU QUE LINGUA QUE CÊ TÁ FALANDO?
E assim os dois jovens e inconseqüentes seguiram os dois primeiros meses de seu amor incondicional, até que chegara o dia em que Eliz teria de partir.
CLÁUDIO LUCAS: OH, MINHA PEQUENA MARIA ELIZ! NÃO SE VÁ! NÃO ME ABANDONE, POR FAVOR, POIS SEM VOCÊ FICAREI LOUCO! Fique aqui junto a mim e eu prometo te dar todo o amor do mundo, pois eu te amo como nunca antes amei mais ninguém e se você se for eu não sei se um dia conseguirei amar outro alguém!
MARIA ELIZ: Cara... eu só vou viajar pra Fortaleza por uma semana.
CLÁUDIO LUCAS: Ah... hm. Então... leve isto.
Cláudio Lucas tira o cordão de palheta que trazia sempre consigo ao redor do pescoço e coloca ao redor do de Maria Eliz.
CLÁUDIO LUCAS: Não o perca. Assim, toda vez que te sentires sozinha, toda vez que quiseres sentir-se amada e protegida, toda vez que a Lua vier à sua janela e perguntar-te "onde está seu amor?", tu lembrarás de mim.
MARIA ELIZ: Não, eu vou dar ele p'O Outro, o negão lá de Fortaleza.
CLÁUDIO LUCAS: WUT
COMO UMA DEEUSAAAAAAAA
VOCÊ ME MANTÉEEEEEEMMMM
E AS COISAS QUE VOCÊ ME DIIIIIZ
ME LEVAM ALÉEEEEEEMMMMMMM
O AMOR VAI NOS DILACERAR
Estrelando:
Cláudio Lucas .................... Luke
Maria Eliz ....................... Thalía
Luciana Bracho ................... Lulu
Paulo Eduardo .................... Odie
Pedro Prado ...................... Pedroca
La Usurpadora .................... Gabriela Spanic
É um fato triste e de conhecimento geral que histórias 100% doces, felizes e açucaradas não prendem a atenção do leitor, nem rendem posts longos e interessantes. A prova disso é a quantidade de posts que narram o tempo que passei com a Liz em comparação com os posts do tempo que passei sem ela. O tempo com ela foi ótimo, sem dúvida nenhuma quanto a isso, mas não rende posts que realmente satisfaçam os leitores ávidos por histórias em que eu me foda no final - curiosamente, a grande maioria deste blog.
Eu e Liz estávamos oficialmente namorando. Eu, Lucas Guedes, com uma garota nintendista, que não só gostava de super-heróis e quadrinhos como também de Star Wars, usava camisetas do tipo "I (L) Nerds" ou "Nerds do it better" E AINDA POR CIMA ERA BONITA E COM CERTEZA ABSOLUTA ERA UMA GAROTA. Com a namorada perfeita e o relacionamento perfeito, o mundo todo também parecia perfeito. O que poderia acontecer de ruim?
A vida, meus caros amigos. Com a aproximação das férias, a preocupação aumentava. Na época, só nos encontrávamos pela manhã na escola. Seria uma verdadeira prova de fogo, afinal se nosso namoro sobrevivesse a um mês inteiro sem quase nos vermos, então ele duraria até o final do ano, certo? Em teoria. Continuamos saindo sempre que possível o mês inteiro. Cinema, shopping, pontos turísticos, coisas do tipo. Além disso, aproveitei a deixa para me matricular no mesmo cursinho que ela à noite. Conseguimos passar julho juntos numa boa. Mas ele acabou, e logo todos aqueles assuntos que todo mundo fez questão de esquecer por 30 dias retornaram: vestibular, aulas, pressão psicológica. De repente, todo mundo começa a ficar inconstante, estressado, distante.
Então, nós terminamos.
Existem, basicamente, três tipos de términos de namoro: o ativo, o passivo e o conjunto. O ativo é aquele em que você vai lá e termina; o passivo, ele vem até você e termina; o conjunto, os dois conversam e/ou discutem e aí decidem, para o bem dos dois, terminar. Porém, mais do que isso, podemos falar de dois tipos de término: o esperado e o não. Ambos são tão gostosos quanto um cruzado de direita, a diferença é que o esperado acerta a boca do estômago, e o inesperado vai direto nos bagos mesmo.
O esperado é aquele em que as coisas não vão bem já há um determinado tempo. Você sabe que o gráfico paixão x tempo está declinando vertiginosamente, mas, não importa o quanto tente, não consegue mudar a situação. Ou às vezes simplesmente não quer, e o jeito é se preparar para levar ou dar o soco primeiro, isso depende de você - e não importa o quanto você pensa que está preparado, o soco sempre acaba sendo mais forte do que você imaginava.
O não esperado é, como o próprio nome diz, quase um ataque ninja. Num momento, tudo parece ótimo, o céu azul com nuvenzinhas, a grama verde, bichinhos andando de um lado para o outro e saindo dos encanamentos e coisa e tal. E então, do nada, você é atacado por uma horda de vikings raivosos, que queimam sua casa, pilham seus bens, estupram seu cachorro, roubam sua carteirinha de meia passagem e deletam todas as músicas do seu MP3. O vazio que fica dentro do seu peito, aquela coisa engatada na sua garganta, o misto de surpresa, tristeza e frustração que se segue... é indescritível, quase insuportável.
Você se sente... oco. Vazio. Tem algo faltando e você não tem como recuperar. É como se seu estômago tivesse sido arrancado com uma pinça, e junto foi o pâncreas de bônus.
Ok, agora vocês estão oficialmente terminados. O que fazer? Procurar ajuda nos seus amigos, obviamente. Se você é do tipo que gosta de se abrir com os amigos, prepare-se para ouvir VÁRIAS outras histórias de romances fracassados. É um fato curioso que as pessoas sempre tentam amenizar o sofrimento da outra contando uma história pessoal com mais sofrimento ainda. "Fica assim não... olha, eu tinha um namorado ano passado que...". Então você vai começar a escutar comentários do tipo "ela não te merecia" ou "você vai ficar melhor sem ela" ou "ela era só mais uma, vão vir outras" e, por que não?, "eu nunca fui com a cara dela mesmo". E o mais engraçado é que estas serão as mesmas pessoas que há algum tempo atrás diziam "aaahh, vocês combinam tanto!"
A grande verdade é que a única coisa que pode aliviar o aperto numa hora dessas é desabafar, pôr pra fora tudo aquilo que corrói você por dentro. Porque não importa a quantidade de conselhos e tentativas de reanimá-lo que você receba, nenhum deles pode matar o câncer, até porque não existe cura. É um tratamento. A única pessoa que pode, de fato, acabar totalmente com a dor é, ironicamente, a mais distante de você nesse momento. E não existe nada pior do que ter que ouvir quando alguém diz "eu sei o que você está sentindo".
Não sabem.
Terminar de forma trágica um relacionamento que realmente significava algo pra você meio que te transforma num entendido no assunto da noite para o dia.
― Minha namorada acabou de me ligar, disse que precisamos conversar...
― Ela vai terminar.
― Aaahhh, meu namorado novo é tão bonitinho, tão fofinho, tão sensível, tão...
― Ele é gay. Gosta de pau. Vai fugir com outro macho.
― Oi!, olha, esse aqui é o meu namorado novo. Estamos tão apaixonados!
― Ah, que bonitinho. É realmente uma pena que daqui a algumas semanas você vá FODER com a vida dele. FODER! FODER! FODER FODER FODER FODER
― CARA, CÊ NEM SABE! Encontrei a garota perfeita! Ela é linda, temos os mesmos gostos, ideias, opiniões...
― Vocês nunca vão ficar juntos. E, se ficarem, você vai se apaixonar cada vez mais e mais até ela FODER CA TUA VIDA, aí quanto tu se der conta, vai estar há quatro dias trancado no quarto ouvindo Like a stone no volume máximo e chorando agarrado com o CARALHO DO TRAVESSEIRO DE CORAÇÃO que ela te deu no mesmo Dia dos Namorados que tu deu a PORRA DE UM CONE PRA ELA, E AQUELA VADIA INGRATA NEM SE LEMBRA MAIS DISSO PORQUE AGORA DEVE TAR SE AGARRANDO COM UNS QUATRO MACHO AO MESMO TEMPO A UMA ALTURA DESSAS
― ... cone?
Além disso, existem ainda as 5 fases pelas quais todas as pessoas que terminam um relacionamento têm de passar.
Primeiro, você acha que só deram um tempo.
NEGAÇÃO: "Não, nós não terminamos. Pff. Não. Não. Nããão... Nah, ela tá só dando um tempo."
Depois, você sai xingando, socando paredes e resmungando por toda aquela grana investida em presentinhos e tudo mais que nunca vai voltar.
RAIVA: "PUTA CADELA VAGABUNDA VADIA ESCROTA"
Então vem a fase mais escrota e demorada de todas, regada a muita música no fone de ouvido e, em boa parte dos casos, álcool e cigarros.
DEPRESSÃO: "AND SOOOOOOOOO SALLY CAN WAAAAAAAAAAAAAAAIT..."
Daí você, já desesperado, recorre aos seus últimos recursos.
BARGANHA: "Oi... Deus? Sou eu. Você tá aí?"
Até que, por fim, você simplesmente... aceita.
ACEITAÇÃO: "É... é."
No espaço de tempo entre o término e a aceitação, permeia aquela dúvida infeliz, a pergunta crucial de todo fim de namoro: eu devo tentar de novo ou desistir e seguir em frente? Permanecer fiel à minha garota ou ela que faça o favor de ir se foder gostoso? Algumas pessoas tentam voltar e conseguem. Outras pessoas tentam voltar e não conseguem. Algumas pessoas viram almeida. Algumas pessoas acham que só um novo relacionamento pode ajudar a superar o antigo. Algumas pessoas acham melhor não pensar mais em relacionamentos por um bom tempo. Algumas pessoas simplesmente não sabem o que fazer. Mas eu posso dizer a vocês que uma coisa que ajuda E MUITO a tomar logo a sua decisão sobre o que fazer é ver que, enquanto você passou esse tempo todo trancado no quarto ouvindo todas as músicas da banda favorita dela porque isso te trazia lembranças, o término aparentemente não a atingiu em absolutamente NADA, e em menos de uma semana ela já está ficando com outro cara.
Ahhhh, é assim?
Então é geralmente nessa hora em que você reencontra suas bolas, já tão esquecidas e inutilizadas, e decide finalmente levantar da cama, tirar a camisa dos Ramones e jeans sujos que já usava faz uma semana, tomar um banho, sair daquele quarto fedorento e pegar toda e qualquer vagabunda que cruzar seu caminho. Oh, yeah, baby: you're back in black.
E foi nesta situação que chegou Odie, me estendendo a mão e fazendo uma proposta irrecusável.
- Vamo beber?
Ora. Por que não?
FIM DA PARTE III: ... TÃO PERTO DAS LENDAAAAAAS, TÃO LONGE DO FIIIIIIIMMM
Terça-feira, Novembro 10, 2009
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