Quinta-feira, Junho 18, 2009

Sobre vestibular, cones e trotes comentarísticos

Primeiro de tudo: sabe, eu adoro o Geito como Comofas, Bruu, Redshank, Kacey e companhia simplesmente enxotam meus leitores novos nos comentários de quase todos os posts.






Dica pra vocês, calouros: novato nos comentários do KD, mas com ambições de um dia figurarem orgulhosamente no Flooders from hell ali no ladinho da página? Então aguenta o bullying, mané.

Segundo, momento Luke in love aqui no blog. Não prossiga se você for diabético ou, sei lá, hétero.

Yep, eu entreguei o tal presente de Dia dos Namorados pra Liz na sexta-feira como planejado e prometido. Depois de uns vinte minutos dentro do ônibus lotado com o cone no colo, finalmento chego na casa dela, do outro lado da cidade. Uma vez em frente à residência, deixo o cone à esquerda da porta, enquanto eu fico na direita. Aperto a campainha, ela abre, eu falo "lembra quando você disse que a sua mãe nunca deixaria tu ter um cone no quarto? Bem, acho que ela não te mandaria jogar fora um presente, certo?" Então eu apontei para o outro lado, de onde o Leopoldo pomposamente observava tudo. E a sequência de reações dela ao ver um cone com lacinho vermelho e plaquinha ali foi exatamente assim: primeiro ela ficou meio "wtf, um cone?"; depois riu, muito; só depois de contar toda a minha odisséia para conseguir o tal cone é que finalmente rolaram os abracinhos, beijinhos e tudo mais. Até a MÃE dela achou o presente fofo, véis. E, acreditem, isso é MUITA coisa. Ah, e ela me deu um travesseirinho fofo com cheirinho de morango escrito "eu te amo" em DOZE línguas. Na boa, te amo mais que o universo, Lizzie.

Daqui a alguns dias, me lembrem de narrar a história de COMO nós ficamos juntos. Essa sim daria um filme, meus caros amiguinhos. E fiquem felizes por mim, seus filhos de putas: este é um pontinho a mais que eu marco para o time dos nerds (Peter Parker e Leonard Hofstadter ficariam orgulhosos de mim). Ah, e se você quiser dar um presente especial pra sua cocota mas não tiver ideia do quê, rouba alguma coisa pra ela. Dá certo PRA CARALHO, cê não faz ideia.

Terceiro, mil desculpas pela escassez de posts. Mas bem, pelo menos dessa vez eu tenho uma boa desculpa. Sabem a quarta temporada de Supernatural, quando o Castiel vem com aquele papo torto pra cima do Dean de "VOCÊ TEM QUE DESTRUIR LUFICER, É SEU DESTINO", e então o Dean, pobre fodido, começa a chorar sabendo que o fim da temporada tá cada vez mais próximo e, junto com ele, sua responsabilidade de impedir o Capiroto? Então. Prazer, meu nome é Dean e meu Lucifer atende pelo nome de "vestibular" e tá cada dia mais próximo. Meu Castiel não tem asas de sombra legais. Na verdade, ele tem 1,60 m, é loira, usa avental a maior parte do tempo e fica falando que, se eu não passar no vestibular, vou perder não só toda a pouquíssima liberdade que me resta, como também meu couro. Ah, e que eu também vou ter que arranjar um emprego. Não sei o que é pior, viu.

Poucos de vocês sabem, mas eu sou mais um infeliz e à beira do surto total estudante do terceiro ano do ensino médio. Aliás, o ensino médio funciona assim: você entra, obviamente, no primeiro ano. No começo, é aquele choque natural de quem acabou de sair do fundamental e já tem uma montanha de informação caindo sobre sua cabeça. O contraste entre oitava série e primeiro ano (pelo menos pra mim, que só fui ver Física, Química e Biologia, de fato, no primeiro ano) é BEEM grande, com aumento do número de aulas e discliplinas. Não é à toa que o maior número de reprovações do ensino médio é aqui. É a velha história do Darwin, com os que menos se adaptaram às novas regras do jogo ficando para trás.

Aí vem o segundo ano, e a coisa já folga um pouco mais. Menos matérias, assuntos fáceis, não é tão difícil. Vocês que tão no segundo ano, reclamam de barriga cheia porque ainda não sabem o que os esperam, suas bichas.

Então chega ele, o terceirão. Ok, aqui o seu respeito dentro do ambiente escolar cresce consideravelmente. Afinal, você tá no último nível da sua escola, prestes à fazer vestibular e se mandar dali de uma vez por todas (ou não). Você é quase um herói, um verdadeiro gladiador. E então, depois de matar todos os leões, eles te jogam no meio do Coliseu pra enfrentar o seu maior obstáculo: TODOS OS OUTROS GLADIADORES. E quimeras de 2 metros que cospem lasers da bunda. Em um chão de brasas de fogo. E seringas de aids espalhadas por ele.

O que mata na verdade no terceiro ano não é nem tanto as disciplinas ou a matéria. O que mata de verdade é a tensão pré-vestibular, o terror psicológico que repentinamente toda a sociedade resolve fazer em você, como se todos seus amigos e parentes quisessem ver você finalmente se ajoelhando no chão aos prantos pedindo penico. Seus pais resolvem te colocar num cursinho, os professores falam o tempo todo sobre quão perto está o vestibular, todo mundo pra quem você diz que está fazendo o terceiro ano faz a mesma pergunta:

- Vai prestar para o quê?

É horrível.

E fica pior ainda se você não sabe a resposta.

E, olhem só que maravilha, é exatamente o meu caso. Meio do ano, alguns meses faltando para as inscrições para as malditas provas e eu, pela primeira vez, já não sei mais o que quero da vida. Na escolha do seu futuro profissional, gosto de dizer que normalmente existem três fases na vida normal de uma pessoa normal com problemas e indecisões normais de uma pessoa normal.

A primeira fase é quando você tem lá seus oito anos e a pergunta recorrente ainda é "o que você quer ser quando crescer?". Extremamente simples, e as respostas costumam ser tão simples quanto. Veterinário! Bombeiro! Astronauta! Super-herói!

Ninguém fala que vai ser pedreiro ou doméstica nessa fase da vida, o que torna ainda mais curioso que tenhamos mais garis do que astronautas por aí. Enfim.

Então você cresce mais um pouco e percebe que o que você queria ser quando era criança já não parece mais tão interessante - ou possível - agora. Esta é a segunda fase, quando você fala que vai ser alguma profissão realmente legal porém mais pé-no-chão, como médico ou advogado.

E então você chega no seu terceiro ano e terceira fase, quando, de repente, tudo de que você tinha certeza de que queria para o seu futuro ganha uma boa chacoalhada. Sonhos distantes se tornam mais distantes ainda, suas certezas se tornam dúvidas e é nessa fase que você começa a apresentar os primeiros sinais de que está prestes a perder a lucidez de uma vez por todas, pois falta pouquíssimo tempo pra data de inscrição e você ainda não se decidiu pelo curso. Nessa fase, é normal mudar de profissão dos sonhos no mínimo umas 3 vezes. Você se pega pensando em empregos que você antes julgava nunca sequer considerar a possibilidade de fazer na vida. E, pra piorar as coisas, você vai ver como a quantidade de outdoors de "primeiro lugar geral em Coisinha" ou "para vencer no vestibular, faça o cursinho Paradinha" vai simplesmente TRIPLICAR na sua cidade.

Vejam, por exemplo, eu. Quando criança, eu queria ser médico. Então eu me toquei que eu teria de lidar diariamente com pessoas e, consequentemente, com o que tem DENTRO delas. Pra não dar uma de House, preferi mudar de curso. Então eu quis ser jornalista. Era certeza, eu IA ser jornalista. Mas então percebi que minha criatividade não é exatamente... constante, e que, se eu escrevo, é por pura diversão e falta do que fazer. A partir do momento em que isso se torna uma obrigação, eu me sinto castrado. Além do que, não se fazem mais jornalistas como antigamente, do tipo sozinho até de madrugada na redação do jornal, óculos, cabelo bagunçado, cigarrinho no canto da boca, caneca de café vazia e suja em cima da escrivaninha desorganizada e uma máquina de escrever à frente. E super-herói nas horas vagas, claro.

Então eu desisti de Jornalismo. Aí fui para Biologia. Depois para Artes Cênicas. No dia seguinte, para Arquitetura (que é na área de Exatas, algo que me dá ASCO). Hoje, ando flertando com a Engenharia da Computação: é nerd, tem computadores e dá dinheiro. Interesting.

Se existe algo que eu posso dizer a vocês com certeza é que o terceiro ano muda as pessoas. Antes, eu raramente estudava em casa e passava as aulas inteiras zuilando no fundo da sala. Tirava 7 ou 8 nas provas só pra não ficar de castigo e meu estudo era todo canalizado somente para passar de ano. Sempre com o fim de mais um ano letivo, meu cérebro meio que formatava toda a informação que a escola havia demorado sete, oito longos meses para armazenar nele e então ia, sei lá, passar o resto das férias deitado na cama tirando meleca do nariz e apodrecendo minha mente na frente da televisão. Nunca tive a noção de que um dia esse conhecimento todo seria cobrado de mim de novo. Hoje, eu estudo (tento). E não só nos dias ou horas que antecedem a prova. Eu ando estudando quase todos os dias e fico amaldiçoando o Luke do passado por não ter feito a mesma coisa e, assim, me poupado o trabalho de ter que relembrar agora toda a matemática de anos atrás. Eu, Lucas Guedes, outrora o rei da procrastinação, deixando os comics um pouco de lado e uma leve camada de poeira de amontoar sobre a guitarrinha de Guitar Hero.

Eu não me reconheço mais. :(
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