Essa pessoa, meus amigos, é um grande FILHO DA PUTA. Provavelmente foi um daqueles malucos do Ministério da Cultura, BANDO DE VIADOS. Graças a eles que o Halloween virou, aqui no Brasil, o Dia do Saci. DIA DO SACI. Jesus, depois quando eu digo que esse país não tem mais jeito, eu que sou o antipatriota.
Mas então, graças a esse gênio que o governo tenta nos forçar a acreditar que algumas coisas que só existem em determinadas cidades são ótimas ideias por, ora vejam só, só existirem naquelas determinadas cidades. Pegando um exemplo daqui de Belém, temos o Ver-o-Peso, marca registrada de Mangueirópolis e que vocês provavelmente conhecem de algum cartão postal ou reportagem do Fantástico (afinal, elas SEMPRE MOSTRAM APENAS o Ver-o-Peso), mostrando todas aquelas ervas e fluidos bizarros pra trazer a mulher amada ou amansar corno vendidos em garrafas pet de 2 litros feitos por velhas índias ou caboclos paraenses (e tudo não passa de genitais de boto/pirarucu colocados na água, FALOMERMO).

Caras, o Ver-O-Peso FEDE PRA CARALHO. Sem brincadeiras, sem piadinhas: o Ver-O-Peso fede a bunda de peixe vomitada há três semanas atrás pelo mendigo maluco que anda pelado e passa a própria merda em todo o corpo todo dia de manhã. Ok, eu sei que peixe não tem bunda, mas, se tivesse, CHEIRARIA A VER-O-PESO.
Mas esse é apenas o Ver-o-Peso, e o tema dos post aqui é outro. Além do lugar mais fedido da galáxia, Belém também pariu outro filho canceroso, o qual ostenta com todo orgulho: o brega.
Se você acha que o Calypso é a pior coisa que Belém já deu ao resto do país, se engana feio. Vocês não sabem o quanto são abençoados por nunca sequer terem ouvido falar de uma aparelhagem de tecno brega. E o brega ao qual me refiro não é do tipo Reginaldo Rossi, que é um brega bem mais oldschool e... pop, por assim dizer. Brega é o estilo musical mais trash e com mais duplos sentidos de conotação sexual que o ser humano já pôde conceber em toda sua existência, e olha que estamos falando da raça que inventou o funk e o forró. Versos do tipo "e eu tirava, e ela metia; e eu metia, ela tirava" (que, na verdade, só falam que, quando o cantor estacionava o fusca na garagem da vizinha, ela o tirava logo em seguida; e vice-versa) ou "quem entra nesse carro é comida" (explicando o fato pelo qual o carro se chamava Marmita) e ainda "quem vai querer a minha periquita?" (aqui, se tratando mesmo de uma ave... Eu acho.) não são raros nesses verdadeiros exemplos de cultura paraense, que narram situações beirando o absurdo só pra poderem fazer trocadilhos sexuais.
E o pior é que o brega aqui toca em TODO lugar: em todas as caixas de som, em todas as rádios, tudo que se ouve é o maldito brega. E se alguém cantarola isso no seu lado no ônibus, quando você menos perceber, você TAMBÉM tá cantarolando. E até tirar essa aids do cérebro, leva um booom tempo.
O tecno brega já é algo mais modernoso. É o que acontece quando você pega uma música ruim, com letra ruim e vocal pior ainda, e deixa tudo mais eletrônico. Daí você toca isso no volume máximo de dezenas de caixas de som, adota um codinome de DJ (normalmente algum nome de pedreiro, tipo DJ Wellington ou DJ Edilmar), chama uma galera lá da Terra Firme (a favela da Rocinha de Belém do Pará), cobra por isso e serve, sei lá, espetinho de algum animal assado com farofa e cerveja quente pra todo mundo. E então, parabéns, você acaba de fazer montar uma festa de aparelhagem.
E elas não são poucas por aqui: Rubi, Superpop, Tupinambá...

Tupinambá: porque brega bom era aquele ANTES do Descobrimento.
... e Príncipe Negro, cada uma delas com suas respectivas músicas ressaltando a primeira letra do nome e símbolos pra se fazer com as mãos. Eu explico: por exemplo, a "música-tema" do Superpop é, vejam só, a que dá nome ao post, "faz um S pra mim". E toda vez que essa música toca, a cabocaiada faz um S com as mãos.
ALIÁS, vamos fazer uma desambiguação importante aqui:
Caboclo: Caboclo é o mestiço de branco com índio; caboco, mameluco, cariboca, curiboca. Antiga designação do indígena brasileiro. Fonte: Wikipédia
Caboco: É difícil achar uma definição exata pra palavra “caboco” conforme empregamos aqui. Muitas vezes, pode ser usada para definir uma pessoa e/ou grupo com comportamento e/ou figurino diferente do lugar ou ocasião. Por exemplo, se você for ao shopping com seus amiguinhos pivetes batedores de carteira e arrombadores de carro, usando aquela sua camiseta com estampa de surfe ou de time de futebol (isso quando usa uma camisa), bermudão, Havaianas, correntinha no pescoço, óculos escuros (esse aqui é opcional, usado apenas por cabocos profissionais estilosos ou por quem acabou de roubá-los mais cedo naquele dia) e cabelinho todo espetado, OU com luzes loiras nas pontas OU apenas com o topetinho cor de mostarda (algumas vezes, até os dois), você é caboco.
Agora, se você for pra uma festa de 15 anos de jeans, camisa social xadrez por cima e camisa de alguma banda por baixo, por mais estiloso que você esteja, todos aqueles de terno e gravata vão olhar pra você e falar "todo caboco.
Como vêem, a caboquice é algo relativo e difícil de se definir. Como eu disse, geralmente é alguém com comportamento e/ou figurino diferente do lugar ou ocasião, mas um dos seus principais usos é para se referir a toda aquela galera da Terra Firme descrita alguns parágrafos acima, que além de se vestir assim ainda não perdem uma só festa de aparelhagem e tiram fotos sem camisa fazendo sinais de gangue com as mãos na frente do espelho pra colocar no orkut. Também vale citar que os cabocos pertencem a diferentes “tribos” conforme sua classe social: cabocos da classe alta ou média alta são playboyzinhos; cabocos da classe baixa são cobradores de ônibus. Ou ladrões.
Ok, pela minha segurança, é melhor parar por aqui, senão daqui a alguns dias eu posso acabar virando capa do Diário do Pará. Boiando dentro de um saco preto no canal, claro. Mas não percam os próximos posts, onde eu falarei sobre o forró, o funk e o quanto o QI de uma pessoa cresce de forma inversamente proporcional ao número de fotos fazendo hang loose na frente de um espelho que ela coloca no seu álbum do orkut.
Mês que vem (ou quem sabe depois dele), aqui no seu KaDê.








