Sábado, Janeiro 24, 2009

Hey, I'm being followed by monkeys

Há cerca de 10 mil anos atrás, quando a Terra ainda não havia sido estuprada pela Revolução Industrial e suas máquinas produtoras de CO2, sendo ainda, portanto, virgem assim como você, o homem primitivo teve uma brilhante idéia, sem dar ctrl + c na Wikipédia e muito menos pesquisar no Google: "vamos formar um grupo de indivíduos que formam um sistema semi-aberto, no qual a maior parte das interações é feita com outros indivíduos pertencentes ao mesmo grupo." Claro que as palavras usadas não foram, de fato, estas, uma vez que a Língua Portuguesa ainda não existia nem nos sonhos mais loucos dos Homo sapiens do Lado de Lá (vistos muitas vezes com maus olhos pelos neanderthais do Lado Daqui, os quais muitas vezes passavam horas escondidos em arbustos esperando um pequeno grupo de Homo sapiens passar para poderem tacar-lhes pedras, paus e algumas vezes até a própria mãe, a fim de descobrirem se quica - o que não só deu origem à famosa frase, como também levou à extinção dos próprios neanderthais). Na verdade, a língua falada na época era o UUUHHHGGGnês, e as palavras ditas pelo homem primitivo para descrever a sociedade foram algo como "UUUHHHGGG-rrrr! UUUHHHGGG-rrrrRRR! UUUHHHGGG-rrrrRRR! HHHurrRRRRRRRRnhhhh", acompanhada de movimentos quase sexuais com a região pélvica, alguns balbúcios incompreensíveis e batidas na própria cabeça com fêmures de algum animal que havia sido o almoço mais cedo naquele dia.

Havia sido inventada a sociedade e, junto com ela, os primeiro passos do que viria a ser o funk carioca milênios depois.


A primeira arma foi inventada logo em seguida, aliás.

A sociedade, tal qual a roda, o automóvel, a lâmpada, o rock n' roll e o sanduíche de salame, foi uma idéia tão absurdamente incrível que todos toparam logo de cara e a utilizam até hoje por mihares de povos, culturas, pessoas e países (menos pelos neanderthais porque, porra, eles tão extintos). Em uma sociedade civilizada, há uma série de leis e regras que devem ser obedecidas e respeitadas para a boa convivência entre você e todos aqueles que vivem nela. Não, não se trata da Constituição (essa serve pra garantir que seu vizinho não resolva defecar na grama do seu quintal numa manhã de domingo sem o risco de parar na penitenciária), mas sim da Etiqueta. É ela que impede você de assoprar a sopa antes de tomá-la enquanto apoia os pés em cima da mesa e tira cera do ouvido com o mindinho da mão esquerda para limpá-lo no guardanapo preso na gola da sua camisa em um restaurante cinco estrelas (ok, nesse caso, não só a Etiqueta, mas também o bom senso. E sua namorada, tavez). A Etiqueta serve pra fazer com que você não passe vergonhe e tenha o comportamento de um neandhertal (que estão, lembre-se, extintos) na frente não só de conhecidos mas de estranhos também, garantindo assim que você tenha uma vida social.

VIDA SOCIAL. That's my point. Veja bem, o que é a vida social? Vida social é o extremo oposto de você ficar sozinho em casa num sábado à noite lendo blogs na internet (exatamente o que você provavelmente está fazendo agora). Sabe aqueles caras pops, com cabelos lisos, dentes extremamente brancos, pele bonita e macia que são conhecidos por todos na sua escola? Então, eles têm vida social. Eles provavelmente são mais saudáveis que você, uma vez que a internet não afeta seus relógios biológicos tanto quanto o seu, sempre são convidados pra festinhas, churrascos, viagens, etc. Se relacionam (muitas vezes, sexualmente) com mais pessoas do sexo oposto em um final de semana do que você se relacionaria em um mês, e provavelmente não precisam de um blog para extravasar suas frustrações sociais através de posts e piadinhas criticando a sociedade moderna.


O caras de Barrados no Baile todos têm vida social. E topetes fodas. COINCIDÊNCIA? HÃ? HÃ?! HÃÃÃ?! Sim.

Mas, oras, quem disse que eles são melhores que você? Aliás, pra que diabos serve a vida social? É trabalhosa, entediante e, na maioria da vezes, tão útil quanto um apêndice. Você não precisa de um apêndice, certo? Então também não precisa de uma vida social.

Honre suas olheiras, rapaz. Elas foram conseguidas com muita dedicação, força de vontade, cafeína e noites e mais noites acordado em frente ao seu PC. Suas espinhas no rosto são verdadeiras cicatrizes de guerra a serem mostradas com orgulho aos seus netos. Seu aparelho dentário, um verdadeiro troféu prateado fundido em seus dentes. Seus calos nas mãos, marcas de todos os zumbis que você já matou empunhando um joystick em mãos. Sua camada de células adiposas se depositando ao redor da sua barriga... erm, são bem nojentas, seu gordo. Mas enfim. Não precisa ficar aí se lamentando todo porque todos seus amigos se resumem a bonequinhos de cabelos coloridos segurando espadinhas no Ragnarök. Melhor ser amigo de Swordsmen e Wizards do que de patricinhas e tiradores de fotos sem camisa em frente ao espelho fazendo hang loose e com óculos escuros, é o que eu sempre digo.

Só existe um único motivo pelo qual a vida social não pode ser, de fato, extirpada de vez da vida de uma pessoa normal. E este motivo é, curiosa e obviamente, o mesmo pelo qual ela foi inventada junto com a sociedade há cerca de 10 mil anos atrás, quando os neanderthais ainda não estavam extintos e gostavam de acertar uns aos outros com ossos de animais e as próprias fezes. Você pode não gostar, achar doloroso ter que perguntar "olá, tudo bem?" sempre que encontrar alguém na rua, odiar ter que inventar desculpas pra não ir a uma festa, etc, mas você não pode negar de que este é um elemento importante na vida do ser humano (afinal, biologicamente falando, nós NASCEMOS pra isso) sem o qual você nem estaria aqui.
A vida social e o motivo de sua existência até os dias atuais pode ser facilmente resumida em uma simples palavra:

Bunda.

Você tem uma vida social para comer uma/comerem a sua. Isso é fato, e somente através da vida social você conseguirá atingir esse objetivo de forma 100% permitida pela lei.

Bem, a não ser que você tenha dinheiro. Aí, meu amigo, a coisa já muda completamente de contexto.


Incrível como eu comecei o post de um jeito tão histórico falando sobre homens das cavernas e a invenção da sociedade e terminei falando sobre vida social e bunda. Sinto que deveria dizer mais alguma coisa, só não sei exatamente o quê. Então, bem...

Goosnargh.
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