Sábado, Junho 30, 2007

Chegou no Pará, parou

Como vocês que perdem o tempo lendo esse blog babaca pacaralho bem sabem, estou confinado durante o resto de minha vida em uma certa cidade do Norte chamada Belém do Pará. Então, estando aqui, tenho sido freqüentemente obrigado a ouvir perguntas no mínimo imbecis do tipo "como vai a vida no Nordeste?" ou "é legal aí no Amazonas?". E, bem, sendo o dono de um blog semi-bem-sucedido, nada melhor do que usá-lo esta ferramenta para esclarecer certas dúvidas com relação a Belém para meus queridos leitores. Sei que vai abalar o seu mundinho, mas é preciso saber. Lá vai: BELÉM NÃO FICA NO NORDESTE E NEM NO AMAZONAS. Caralho.


Um pequeno mapa explicando as localidas de Belém, Amazonas e Nordeste.

Mas isso não é o bastante para sanar todas as dúvidas sobre a cidade, como aquelas do tipo "é verdade que cês comem calango no almoço?" ou "você tem um jacaré de estimação?". Então, eis que vos apresento um sensacional post feito especialmente pra você que mora, morou, quer morar em Belém ou só deu uma passada no blog pra ver se eu tinha postado mais fotos de mulher pelada, com tópicos falando sobre a população, o clima, pontos turísticos e comidas típicas da Cidade das Mangueiras. Queria lembrar que o post, assim como todo o blog, reflete apenas a minha opinião pessoal. Não deve ser levado à sério. É sempre bom esclarecer para não ter que abrir a porta de casa e dar de cara com uma multidão de paraenses enfurecidos pelo fato que xinguei a sua banda de brega favorita.

Então, relaxa. E goza.


População: gente fina bagarai.
Se tem uma coisa que posso falar dos mais de 2.000.000 habitantes de Belém do Pará é que eles são mais legais que aqueles saquinhos plásticos cheios de bolhas que a gente perde horas estourando. Sério. É difícil passar mais de 10 minutos em território belenense sem ter feito amizade com no mínimo umas 3 pessoas.

Pontos turísticos: assaz!
Forte do Castelo, Praça da República, Batista Campos, Theatro da Paz, Ver-o-Rio, o recém inaugurado hangar... em Belém tem muita coisa legal que com certeza vai garantir a você algumas horinhas de passeio com o traseiro longe de casa. A maioria é decorrente da luxuosa época da borracha, como o Theatro da Paz e o Palácio Lauro Sodré. Sentiu a imponência?

Distritos: só conheço um e olhe lá.
Bem, tem Icoaraci, Outeiro e Mosqueiro. Só conheço a praia deste último, e digo que é um lugar perfeito... se você for um gordo peludo cheirando a queijo e quiser levar toda a família pra uma farofada numa praia superlotada e mais suja que uma privada de banheiro de colégio público. Aliás, mais suja que um colégio público inteiro.

Clima: quente. heh.
Aos turistas em potencial que queiram conhecer Belém do Pará, antes de tudo um pequeno aviso: Belém é quente. Muito quente. Não é quente do tipo "uhu, vou pegar um bronze no caminho do trabalho", mas no tipo "OMG TOU EVAPORANDO-- *PUFF!*". Puff!, por sinal, é o som do seu corpo desaparendo em uma pequena nuvem, logo após seu corpo sublimar por completo. Mas, em compensação, todo fim de tarde cai sempre uma chuva bem fresquinha, daquelas que não dá vontade nem de levantar da cama e passar o resto do dia debaixo das cobertas.

Estilo musical: putaqueopariu, sorte que eu trouxe meu MP3.
O Pará tem algumas músicas realmente legais, como o siriá e o carimbó. Batida legal pacas. O problema mesmo é o semi-meio-irmão do mal delas, o brega. Letras rocambolescas beirando o obsceno e uma melodia tão agradável quanto a sensação de ter uma turbina de avião sendo introduzida em seus ouvidos. Essa seria a definição perfeita do amontoado de sons (o qual me recuso a me referir como "música") que você tem que ouvir toda vez que sintoniza o radinho.

Segue um trecho de uma obra-prima do brega belenense.
Uma águia passou no meu quintal
um grito muito forte querendo namorar
acho que tá querendo a minha piriquita
que a muito tempo eu tô doida pra dar
(...)
Quem vai querer a minha periquita?
A minha periquita, a minha periquita?
Quem vai querer a minha periquita?
A minha periquita, a minha periquita?
Definitivamente, quase um Gonçalves Dias.

Comidas típicas: muito bom, pra quem gosta.
Ok, ok. Sou até suspeito pra falar por ter passado a maior parte da minha vida aqui e tal, mas as comidas típicas do Norte são incrivelmente deliciosas. Quer dizer, a maioria. Se um dia você chegar a passar o Círio na casa de algum amigo paraense, com certeza constará no menu açaí, farinha, tacacá (o meu favorito), vatapá ou pato no tucupi. O açaí daqui não é como esses que a gente compra nessas academias da vida, com todas aquelas porras de guaraná em pó, açúcar, serragem e anabolizante pra cavalo, mas sim a mais pura semente de açaí recém batida com a mais crocante farinha amarela. Uma verdadeira iguaria.

Gírias: égua da porra escrota!
Certo dia, os moradores de uma pequena cidade do Norte, andando pelo mato, encontraram uma estranha erva de 5 folhas e descobriram o quanto era legal mascá-las. Logo depois descobriram que enrolá-las em folhas de bananeiras do tamanho de baguetes era ainda mais legal! Então todos os moradores da pequena cidade ficaram mucho locos e começaram a ver éguas invisíveis por todos os cantos e a falar coisas sem sentido, como "pai d'égua", "levar o destempero", "só o creme" e outras mais.
Esta é a explicação mais plausível que encontrei para a origem das gírias paraenses, cujo significado só não coloco aqui porque nem eu mesmo sei qual é. Mas digamos que o paraense tem tanto talento pra neologismos quanto eu pra Miss Universo. Mas, como todo brasileiro, não desisto nunca eles não desistem nunca.


E aqui acaba o pequeno guia turístico sobre Belém do Pará, amiguinhos. Essa é a verdadeira Belém. Tá certo que não serviu lá pra grandes merda e que a maioria vai continuar achando que continua sendo uma cidade do estado do Amazonas, na região Nordeste, onde as pessoas, que andam apenas com folhas de parreira pela rua e moram em ocas, costumam comer calango no lanche da tarde e ter jacarés como bichinhos de estimação. Mas enfim.

Só queria mostrar mesmo que não é só de Calypso que vive uma cidade.

Sexta-feira, Junho 29, 2007

Caridade do Dia

- Qual o seu pedido, senhor?
- Um Big Mac pra viagem, com batata e Coca-Cola grande, por favor.
- Ok... pra viagem?
- Sim, por favor.
- Certo. Gostaria de deixar uma doação paras as criancinhas com câncer?
- Ah, claro.

Então eu peguei uma batatinha e coloquei na caixinha.

Ora, se eu fosse uma criança com câncer em estado terminal e com menos de uma semana de vida, acho que ficaria muito mais feliz com uma batatinha do que com um cheque no valor de 1.000 reais. Até porque acho que nem me deixariam sair da cama do hospital pra ir no shopping fazer compras.

Acho que foi por isso que a mulher não colocou gelo na minha Coca. Filha da puta.

Domingo, Junho 24, 2007

Match Point!

Atenção, galerinha, vou contar uma historinha muito legal que aconteceu comigo durante meu período de abstinência virtual. Não é muito emocionante, não tem caras voando por aí com um colante ou supermercados explodindo ou cantoras de música pop dirigindo embriagadas, mas mesmo assim é deveras interessantes e, como não podia deixar de ser, eu me fodo no final.

Certo dia, estava eu a fisolofar na quietude de meu quarto, quando me ocorre uma idéia brilhante: vou comprar uma Playboy!


MATCH POINT!

Ora, é um fato de conhecimento geral que uma pessoa só está oficialmente na puberdade quando adquire sua primeira revista de mulépelada. Ganhar de presente, achar, ou roubar de um amiguinho da escola não vale. Tem que chegar na banca, colocar seus colhões no balcão e falar com toda convicção "quero aquela da loira com os dois negões". Depois é pegar a revista e sair a passos confiantes a caminho de casa folheando a revista na rua, para depois escondê-la em algum lugar bem guardado e só voltar a folheá-la com a segurança e privacidade que só os banheiros podem oferecer.

Mas é claro que eu, sendo a pessoa pura e ingênua que sou, não ia comprar uma Playboy apenas para satisfazer minha luxúria. Claro que não. Na verdade, era porque a revista que eu tinha visto vinha com uma matéria bastante interessante sobre as vantagens do alogamento e eu estava ansioso para poder lê-la. Nada envolvendo perversões. Claro que não. Ora bolas.

Aí eu comecei a bolar toda uma tática. Anotei em um caderninho as melhores rotas da minha casa até a banca, os lugares mais seguros para esconder a revista, horários de entrada e saída dos meus pais, etc. Então vesti uma camisa de manga comprida preta e com um capuz style, coloquei me óculos escuros e um boné e fui em direção ao meu destino. E, por sorte, meu destino tava no desconto e custava só R$ 4,90, veja só você.

Cheguei na banca, fingi olhar umas revistas de atividades e escolhi uma bem grande onde pudesse colocar a Playboy. Estas, aliás, ficavam numa parede atrás do balcão, então se eu quisesse sair com um exemplar dali teria que pedir pra moça da banca. Segue o diálogo.

- Vou querer essa aqui dos dinossauros e... aquelali.
- Qual?
- Aquelali.
- Onde?
- Em cima, pô. Do lado das ruivas.
- Essa?
- Não, pô. Aquelali.
- Qual?!
- A DA MORENA COM A RAQUETE NA X*NA, PÔ.

Nessa hora eu meio que esperava que ela fosse sacar uma blaster de trás do balcão e dar tiros de rajadas cósmicas, ao mesmo tempo em que recitava o artigo do Estatuto da Criança e do Adolescente que proibe a venda de material pornográfico a menores de 18 anos, o qual, por acaso, eu não lembro o número. Mas não. Ela simplesmente me entregou a revista numa sacola com um sorriso tão grande que parecia falar "EH HOJE, EIN?". Por um momento até esperava que fosse me dar um pote de vaselina de brinde.

Fui pra casa, agora sendo oficialmente um adolescente, e, na falta de lugar melhor, escondi numa mochila velha e joguei no fundo do meu armário. Depois eu arranjaria um lugar melhor. Claro que antes dei uma conferida no material e, cara, lá estava ela, Vanessa Schutz, na capa, sorrindo pra mim. Acho que foi meu primeiro caso de amor correspondido. Enfim.

Estou esquecendo de alguma coisa? Ah, é. Ainda tem um epílogozinho. Após algum tempo após a minha compra, eu acabei esquecendo que eu tinha uma mulher completamente nua escondida dentro de uma mochila velha dentro do meu armário. Então, certo dia, minha mãe resolveu dar uma faxina na casa. E um dos lugares por onde ela passaria seria justo meu armário.

- Lucas, eu vou dar uma limpada aqui nessa mochila e-- QUEPORRAÉESSAAQUI?


- LOL FUDEU



No final das contas, nem li a revista. Pena.

Terça-feira, Junho 19, 2007

Ih, rapaz. Entrega de boletim.

Vão pensando aí numas palavras bem bonitas pra colocar na minha lápide. :(


Você não pode calar a vontade do povo.

Sexta-feira, Junho 15, 2007

OH NOES LUKE IS BACK

Sou eu, Lucas Guedes. Seu amigão da vizinhança, vocês sabem.

Faz bastante tempo que eu não apareço por aqui, né não? Tá, eu sei que vocês sentiram saudades minhas de mim e de meus divertidos e ácidos textos, certo? Afinal, o que seria de mim sem vocês? "Pessoas mais cultas e não-alienadas" não será considerada resposta.

Mas, afinal, por que diabos Lucas Guedes, o garoto que passou quase 3/4 de toda sua vida com o traseiro sentado diante de um monitor, passou tanto tempo fora de seu habitat natural, a doce e querida Internerd? Acontece, meus queridos órfãos, que tive que sair de Brasília e voltar a morar em Belém. De novo. Talvez seja algo relacionado com carma, predestinação ou macumba da véia, não sei. Enfim, acabou que o computador deu um bug atrás do outro e só agora consegui estabelecer um contato com o Mundo Virtual novamente. Mais ou menos como Lost ao contrário. E sem aqueles malucos com bastões do outro lado da ilha.

O que eu quero dizer com esse fiapo de post de 4 parágrafos é apenas o seguinte: LUKE IS BACK!! Avise a mãe, o pai, o semi meio irmão gêmeo do mal e a vizinha que o cachorro dela tá cagando no seu jardim de novo e dê uma super festinha com as melhores prostiputas que os Classificados podem oferecer. Afinal, eu sei que tá todo mundo feliz com a minha volta e mal podendo se conter de tanta emoção. Posso até sentir a felicidade estampada em seus rostos!


- rs.

Terça-feira, Junho 12, 2007

Certo dia encontrei um mendigo. Um senhor de idade, em cujo rosto envelhecido possuía uma história para contar embaixo de cada ruga, mas que, por um triste acaso, a vida o esquecera ali naquela esquina fria e suja.

Então ele olhou pra mim e disse:

- Os pequenos atos que se executa são melhores que todos aqueles grandes que apenas se planejam.

O que ele quis dizer com isso? Não sei. Mas o safado me roubou 10 conto e saiu correndo.