O filme conta a história de mais um grupinho odiável de jovenzinhos que resolvem passar as férias em um certo lugarzinho da América Latina chamado Brasil. Imagino como isso deve ter acontecido. Certo dia algum deles chegou pros outros e falou em um forçado sotaque espanhol "hey, ma' friends! Que tal irmos to the Buenos Aires, dançarmos uno pouquito of samba?". E aí eles vieram parar no Brasil.

Os heróis na única área civilizada do Rio de Janeiro. Note a floresta Amazônica ao fundo.
O fato é que o filme mostra de forma nua e crua todas as idéias de que os ianques têm do Brasil. Seria algo que poderia ser resumido em futebol - praia - mato - macacos e por aí vai. Tente encaixar aí também favelas, carnaval e mulher pelada. Se bem que "carnaval com mulher pelada" é pleonasmo. Enfim. O filme é tudo isso. Um filme de terror que se passa em um país subdesenvolvido, cheio de drogas e guerrilheiros armados até o dente, onde se pode ir de uma praia do Rio de Janeiro à Amazônia de barco em questão de minutos.
A reportagem do Fantástico ainda vai além de mostrar apenas os absurdos do filme - pelo menos para nós, brasileños -, apresentando também entrevistas com cidadãos americanos, sobre o que pensam sobre o Brasil. E o que vocês acham que eles falariam? Um disse que aqui todo mundo se diverte. Logo, somos todos vagabundos. Outro disse que tem muita praia. Logo, somos todos surfistas loiros, com sotaques à la Felipe Dylon e cérebro de furão. Também teve uma senhora que disse que acha que o Brasil é um país horrível, pobre e cheio de violência. Logo, somos todos guerrilheiros cubanos.
Mas, sabe, não sei porque todo mundo fica tão indignado. Quer dizer, qual a primeira que vem a sua cabeça ao ouvir falar do Rio de Janeiro? Aposto duas moedas e um botão de camisa que você pensou em praias, favelas e mulheres em biquinis mínimos. E quanto ao Ceará? Rá, caatingas e cangaceiros. E quanto ao Acre? Mato. Muito mato.

Uma rua asfaltada? Taí uma coisa que não se vê todo dia no brasil.
A reportagem do Fantástico ainda vai além de mostrar apenas os absurdos do filme - pelo menos para nós, brasileños -, apresentando também entrevistas com cidadãos americanos, sobre o que pensam sobre o Brasil. E o que vocês acham que eles falariam? Um disse que aqui todo mundo se diverte. Logo, somos todos vagabundos. Outro disse que tem muita praia. Logo, somos todos surfistas loiros, com sotaques à la Felipe Dylon e cérebro de furão. Também teve uma senhora que disse que acha que o Brasil é um país horrível, pobre e cheio de violência. Logo, somos todos guerrilheiros cubanos.
Mas, sabe, não sei porque todo mundo fica tão indignado. Quer dizer, qual a primeira que vem a sua cabeça ao ouvir falar do Rio de Janeiro? Aposto duas moedas e um botão de camisa que você pensou em praias, favelas e mulheres em biquinis mínimos. E quanto ao Ceará? Rá, caatingas e cangaceiros. E quanto ao Acre? Mato. Muito mato.

Uma rua asfaltada? Taí uma coisa que não se vê todo dia no brasil.
Mas quem mora no Rio sabe que o Rio não é apenas praias, favelas e mulheres, assim como quem mora no Ceará sabe que não é só caatingas. Quanto ao Acre não ter apenas mato não comentarei nada, pois há controvérsias. Mas entenderam o que eu quis dizer? Como culpar os americanos de não saberem nada sobre um país mal divulgado que raramente aparece na mídia se não sabemos nem do nosso próprio? Várias vezes, após dizer que nasci em Belém, já tive que ouvir perguntas do tipo "lá em Belém tem prédios?" ou "é verdade que cês comem calango no almoço?". Os filmes brasileiros, por exemplo, 98,38274% se passam em uma favela. Quando a palavra "Brazil" aparece na TV norte-americana, normamente é em algum noticiário (seguida da palavra "traffic") ou em algum programa de turismo (seguida da palavra "beach").
O Brasil sempre vai ser o país do futebol e das praias, assim como a França sempre vai ser o país da torre Eiffel e a Austrália, dos cangurus. Então o jeito é parar de mimimi e voltar a brincar com nossos macaquinhos, nossos animais de estimação favoritos, e a jogar futebol em alguma praia carioca. Mas tomando muito cuidado, claro, pra não ser devorado por um jacaré ou ser seqüestrado por alguma quadrilha de traficantes da favela da esquina.
O Brasil sempre vai ser o país do futebol e das praias, assim como a França sempre vai ser o país da torre Eiffel e a Austrália, dos cangurus. Então o jeito é parar de mimimi e voltar a brincar com nossos macaquinhos, nossos animais de estimação favoritos, e a jogar futebol em alguma praia carioca. Mas tomando muito cuidado, claro, pra não ser devorado por um jacaré ou ser seqüestrado por alguma quadrilha de traficantes da favela da esquina.



















